Setor Externo
I - Balanço de pagamentos - Março de 2013
O balanço de pagamentos registrou superávit de US$3,3 bilhões em março. As transações correntes foram deficitárias em US$6,9 bilhões, acumulando, nos últimos doze meses, déficit de US$67 bilhões, equivalente a 2,93% do PIB. A conta financeira apresentou ingressos líquidos de US$9,9 bilhões no mês, destacando-se aqueles proporcionados por investimentos estrangeiros diretos (IED), US$5,7 bilhões, e em carteira, US$3,9 bilhões.
A conta de serviços registrou déficit de US$3,7 bilhões em março, 14,8% superior ao observado no mesmo mês de 2012. As despesas líquidas com transportes somaram US$709 milhões, acréscimo de 11,5%, na mesma comparação. O gasto líquido com viagens internacionais alcançou US$1,3 bilhão, elevação de 27,5% na comparação com março de 2012. O saldo decorreu da expansão de 15% nos gastos de turistas brasileiros em viagens ao exterior, e redução de 4,9% nos gastos de viajantes estrangeiros ao Brasil. Dentre os demais itens da conta de serviços, destacaram-se as elevações, nas mesmas bases comparativas, nas despesas líquidas com aluguel de equipamentos, 11,5%, e com seguros, 18,6%. Em sentido inverso, houve recuo nas despesas líquidas com computação e informações, 29,8%, e com royalties e licenças, 15,3%. As receitas líquidas de outros serviços somaram US$746 milhões.
As remessas líquidas de renda para o exterior somaram US$3,5 bilhões no mês, comparativamente a US$2,4 bilhões ocorridos em março do ano anterior. As despesas líquidas de lucros e dividendos atingiram US$2,7 bilhões, elevação de 39% relativamente a março de 2012, enquanto as despesas líquidas de juros somaram US$811 milhões, ante US$443 milhões no mesmo período do ano anterior. As saídas líquidas de renda de investimento direto totalizaram US$2,1 bilhões, superiores ao US$1,1 bilhão observado no mês equivalente de 2012. As remessas líquidas de renda de investimentos em carteira somaram US$909 milhões, crescimento de 10,7% na mesma base de comparação, enquanto as de renda de outros investimentos atingiram US$539 milhões, elevação de 11,7%.
As transferências unilaterais registram ingressos líquidos de US$204 milhões, inferiores ao resultado de março de 2012, US$313 milhões. O ingresso bruto de manutenção de residentes somou US$154 milhões, recuo de 10,4% no mesmo período comparativo.
Os investimentos brasileiros diretos no exterior registraram, no mês, aplicações líquidas de US$2 bilhões, dos quais US$3 bilhões em aquisição líquida de participação no capital de empresas no exterior, enquanto as amortizações de empréstimos intercompanhias pagas às matrizes brasileiras somaram US$1,1 bilhão.
Os investimentos estrangeiros diretos somaram ingressos líquidos de US$5,7 bilhões, compreendendo US$2,7 bilhões de ingressos líquidos em participação no capital de empresas no País, e US$3 bilhões de desembolsos líquidos de empréstimos intercompanhias. Nos 12 meses encerrados em março, os ingressos líquidos de IED somaram US$63,6 bilhões, equivalentes 2,78% do PIB.
Os investimentos estrangeiros em carteira apresentaram ingressos líquidos de US$3,9 bilhões em março, compostos por US$2,4 bilhões em ações e US$1,5 bilhão em títulos de renda fixa. Os investimentos em títulos de renda fixa negociados no País apresentaram ingressos líquidos de US$564 milhões, comparados a US$977 milhões registrados no mês anterior. As amortizações líquidas de bônus públicos negociados no exterior, incluindo recompras em mercado secundário, somaram US$128 milhões. As notes e commercial papers registraram ingressos líquidos de US$1,1 bilhão no mês. Não houve operações em títulos de renda fixa de curto prazo negociados no exterior.
Os outros investimentos brasileiros no exterior registraram, no mês, retornos líquidos de US$1,2 bilhão, compreendendo, dentre outros, redução de US$3,3 bilhões no saldo de depósitos mantidos por bancos brasileiros no exterior e concessões líquidas de US$1,6 bilhão em empréstimos e créditos comerciais de curto prazo ao exterior,.
Os outros investimentos estrangeiros no País apresentaram ingressos líquidos de US$2,1 bilhões em março. O crédito comercial de fornecedores registrou desembolsos líquidos de US$2,4 bilhões, concentrados em operações de curto prazo. Os empréstimos de médio e longo prazos somaram amortizações líquidas de US$98 milhões.
II - Reservas internacionais
O estoque de reservas internacionais no conceito liquidez totalizou US$376,9 bilhões em março, incremento de US$396 milhões em relação à posição do mês anterior. A receita de juros que remuneram os ativos de reservas somou US$282 milhões. As variações por paridades reduziram o estoque em US$201 milhões, enquanto as variações por preços o elevaram em US$79 milhões.
No mês, o Banco Central liquidou compras de US$2,8 bilhões em operações de linhas com recompra, eliminando o estoque desses ativos e, consequentemente, igualando o valor dos estoques nos dois conceitos de reservas, caixa e liquidez.
III - Dívida externa
A posição estimada de dívida externa total referente a março totalizou US$317,8 bilhões, acréscimo de US$4,9 bilhões em relação ao montante apurado para dezembro de 2012. A estimativa da dívida externa de longo prazo atingiu US$284,5 bilhões, elevação de US$4,2 bilhões, enquanto o estoque de curto prazo elevou-se em US$754 milhões, para US$33,3 bilhões.
Dentre os principais fatores de variação da dívida externa estimada de longo prazo destacaram-se as captações líquidas de empréstimos tomados pelo setor bancário e pelo governo, US$2,7 bilhões e US$1,4 bilhão, respectivamente; e as captações líquidas de títulos de dívida pelos outros setores, US$520 milhões. A variação por paridades reduziu o estoque de endividamento externo estimado de longo prazo em US$284 milhões.